Endometriose: sintomas, diagnóstico e tratamentos

 



A endometriose é uma condição crônica em que um tecido semelhante ao endométrio (que normalmente reveste o interior do útero) cresce em outros locais do corpo, como ovários, trompas, intestino e bexiga. Esse tecido reage aos hormônios do ciclo menstrual, inflamando e causando dor intensa, já que não tem por onde ser expelido.


Na endometriose, o endométrio (tecido de revestimento interno do útero) desenvolve-se em localização variável fora do útero, formando massas / lesões de características benignas (com exceção do ovário), com maior ou menor extensão.

Nas várias localizações extra-uterinas, esse tecido sofre transformações semelhantes às que ocorrem no útero durante o ciclo menstrual, que se traduzem, mais frequentemente, em dor, infertilidade e complicações graves com outros órgãos.

Que zonas são mais atingidas pela endometriose?

Embora esteja descrita em todos os órgãos do corpo, os locais mais comuns em que ocorre endometriose são essencialmente na pelve:

  • Os ovários;
  • As trompas de Falópio;
  • As áreas que rodeiam o útero;
  • O útero (adenomiose);
  • O reto;
  • A vagina;
  • O cólon sigmoide;
  • Os ureteres;
  • A bexiga;
  • Os nervos superficiais e profundos.

Algumas formas de endometriose à distância podem ainda, envolver outros órgãos, por exemplo, o diafragma, pulmão, apêndice ileocecal, intestino delgado, nariz, e muitos outros.

Estima-se que a incidência de endometriose em Portugal seja de cerca de 700 000 casos.

Quais são os sintomas da endometriose?

Em alguns casos pouco frequentes, a endometriose pode não ter quaisquer sintomas.

No entanto, a sintomatologia mais habitual desta doença caracteriza-se por dores, que podem ocorrer:

  • Durante a menstruação (dismenorreia) ou entre os períodos menstruais;
  • Durante ou depois das relações sexuais e do orgasmo;
  • Durante a micção ou a defecação.

35% a 70% das mulheres com endometriose têm, também, dificuldade em engravidar.

Nas formas graves de endometriose, podem estar presentes outros sintomas, relacionados com os órgãos que são atingidos. Complicações graves também podem ocorrer de forma lenta ou aguda, como por exemplo perfuração intestinal, oclusão intestinal, pneumotórax (colapso do pulmão na altura da menstruação), perda de função renal progressiva, e outras.

Como se realiza o diagnóstico da endometriose?

Os sintomas associados à endometriose podem ocorrer em várias outras doenças.

Assim, o diagnóstico de endometriose pode requerer:

  • Uma avaliação médica detalhada;
  • A realização de exames complementares de diagnóstico;
  • Uma investigação cirúrgica (laparoscopia exploradora).

Existem tratamentos para a endometriose?

A endometriose pode ser tratada de várias formas, dependendo:

  • Dos sintomas e da sua gravidade;
  • Da localização e extensão das massas de endometriose;
  • Das complicações passiveis dos órgãos adjacentes (reto, rim, etc.);
  • Dos desejos das doentes relativamente a gravidezes futuras;
  • Da idade;
  • De outras características específicas de cada caso.

O tratamento da endometriose tem como objetivo resolver os problemas de dor e de infertilidade, bem como, eliminar as massas de endometriose.

As opções gerais de tratamento são:

  • Terapêutica médica, analgésica e/ou hormonal –  alivia os sintomas mas não diminui a extensão das massas de endometriose, nem melhora a fertilidade;
  • Tratamento cirúrgico –  indicado, habitualmente, para casos graves, nomeadamente, com invasão de outros órgãos e com queixas de infertilidade:
    • Tratamento conservador – com objetivo de remover as massas de endometriose, melhorar as dores e facilitar o acesso à gravidez;
    • Tratamento radical.

Nas doentes com endometriose, a infertilidade pode estar associada:

  • Às massas de endometriose;
  • A alterações anatómicas devidas à doença;
  • À produção de substâncias que interferem com uma ovulação, fertilização ou implantação normais.

Assim, normalmente, o tratamento da infertilidade associada à endometriose pode envolver mais do que uma das opções referidas, além de outros recursos, como por exemplo, técnicas de reprodução assistida.

De salientar que, ao contrário do que é muitas vezes afirmado, a gravidez não cura a endometriose e pode haver complicações graves durante a própria gravidez.




Endometriose: tratamento cirúrgico

Embora a endometriose seja definida como uma doença crónica, na realidade, muitas formas graves desta doença podem ser totalmente curadas com cirurgia.

Em regra, o tratamento cirúrgico da endometriose está indicado quando:

  • Os sintomas são graves e incapacitantes;
  • A terapêutica médica não alivia os sintomas;
  • Há formação de massas de endometriose e invasão de outros órgãos;
  • Existem muitas queixas de infertilidade.

Como já referido, e dependendo das especificidades de cada caso, o tratamento cirúrgico da endometriose pode ser:

  • Conservador – removem-se as massas de endometriose mas mantém-se o útero e os ovários;
  • Radical – remove-se o útero (histerectomia), as trompas e os ovários, além das massas de endometriose.

Nas mulheres jovens submetidas a um tratamento radical procura-se, tanto quanto possível, manter os ovários, para que não desenvolvam um processo de menopausa precoce.

Após uma cirurgia conservadora, a taxa de recorrência - que globalmente varia entre 6% e 30% - é (no caso de conservação dos ovários) inversamente proporcional à idade.


 Autor

António Setúbal
Ginecologia-Obstetrícia

















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