3 de julho de 2017

# momento de fé

A sabedoria do encantador de cachorros



Em todo o mundo, milhares de telespectadores assistem ao programa de TV, no qual um treinador de cães chamado Cesar Millan, conhecido também como “encantador de cachorros” consegue não só reabilitar cães difíceis, mas o faz com uma tranquilidade que muitas vezes deixa o proprietário do animal espantado.
Seja o cachorro excessivamente agressivo, agitado ou medroso, Millan parece saber falar a linguagem do animal. Animais de estimação que sempre pulam nas visitas, agitam-se sem controle na corrente ou destroem compulsivamente tudo pela casa, aprendem a relaxar em sua presença.
Os resultados com frequência são comoventes. Millan, porém, não alega milagres. Em vez disso, usa a sua compreensão do comportamento social dos cães. Ele explica que, entre eles mesmos, os cães testam instintivamente uns aos outros para determinar qual o lugar exato que ocupam na matilha. De posse desta percepção, ele ensina os proprietários dos cães a se colocarem como um gentil, porém firme, “líder da matilha” para os seus próprios animais. O segredo do encantador de cachorros, portanto, reside não em mágica, mas em sabedoria.
Se a sabedoria consiste na habilidade de usar o conhecimento para alcançar um alvo desejado, é isso que Millan faz. Ele aplica sua compreensão sobre o motivo de os cães agirem de certa maneira para superar problemas que impeçam os animais e seus donos de se divertirem juntos.
No processo, acredito que Millan faz algo muito mais importante do que treinar cães. Parece-me que, em sua sabedoria, ele reflete algumas maneiras como o nosso Criador trabalha conosco. Na verdade, ele pode até nos ajudar a pensar em nosso Deus como o “encantador de pessoas”.
A gentileza da sabedoria de Deus. Ao invés de gritar lá do céu, frustrado e zangado, nosso Deus sabe como se mostrar presente, tranquilo e manso até nos terremotos, ventanias e incêndios que ocorrem em nossas vidas. Em oposição aos nossos caminhos barulhentos, frenéticos e desgastantes o nosso Senhor diz: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus…” (Salmo 46:10).
O profeta Elias experimentou a voz e o suave toque de Deus num dos momentos de maior abatimento em sua vida. Exaurido por seus esforços para fugir das ameaças de morte de Jezabel, rainha de Israel, Elias sentiu-se tão só e desiludido, que desejou morrer (1 Reis 19:4). Esses sentimentos de desespero, porém, deram a Deus a oportunidade para mostrar Sua sabedoria.
Primeiramente, o Senhor Deus agiu no corpo de Elias. Ele renovou as forças físicas do Seu servo fazendo com que dormisse e dando-lhe alimento e água (19:5-8). Em seguida, Deus renovou a perspectiva espiritual de Elias, falando com ele não em um vento uivante, em estrondoso terremoto, ou em fogo consumidor, mas num “cicio tranquilo e suave” (1 Reis 19:9-12).
A sabedoria da gentileza de Deus. O que Elias ouviu na tranquilidade da voz de Deus, outros homens e mulheres da Bíblia também experimentaram. Pessoas atribuladas como Abraão, Jó, Rute, Raabe, José, e o apóstolo Paulo descobriram que, até mesmo em seus piores problemas, Deus estava, gentilmente, usando a voz da Sua sabedoria para conseguir a atenção, a submissão e a confiança deles.
Uma dessas pessoas era Agur. Hoje em dia ele é citado pelos leitores do livro de Provérbios como um homem excepcionalmente sábio (Provérbios 30:8-9). Agur, entretanto, tinha uma opinião diferente sobre si mesmo. Oprimido pela consciência de sua pequenez na presença do seu Criador, ele escreveu: “Porque sou demasiadamente estúpido para ser homem; não tenho inteligência de homem, não aprendi a sabedoria, nem tenho o conhecimento do Santo” (Provérbios 30:2-3). Uma versão da Bíblia traduz as palavras de Agur desta forma: “Sou mais animal do que gente; não tenho a inteligência que um ser humano deve ter” (Provérbios 30:2 NTLH).
Agur, aparentemente, não compreendeu o que seu Criador estava silenciosamente lhe dizendo através da natureza à sua volta (Provérbios 30:4).
O alvo da sabedoria de Deus. Ao ver e admitir o que não conseguia compreender por si mesmo, Agur desejou valorizar cada palavra de Deus mais do que o seu próprio entendimento (Provérbios 30:5-6).
Em seguida, o sábio homem orou: “Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o Senhor? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus” (Provérbios 30:7-9).
Ao lembrarmos de que não pertencemos a nós mesmos, Agur conduz a sabedoria do encantador de cachorros a um patamar muito mais elevado. Assim como um cão precisa entender qual a sua posição em relação ao líder da matilha, também nós, precisamos compreender exatamente onde nos encontramos em relação ao nosso próprio Criador, Provedor e Protetor.
Pai celestial, reconhecemos com o Teu servo Agur que algumas vezes nos sentimos não tão humanos em nosso entendimento. Neste momento ajuda-nos, por favor, a confiar e a agir para refletirmos a quietude da Tua presença, a paz em saber que nos compreendes, e a expectativa de estar contigo em Tua casa eternamente.

                                                                                      fonte:Ministérios Pão Diário