Relacionamentos de Plástico

By Leila Maria - março 24, 2014


Relacionamentos de Plástico  (E Por Que Você Deveria Fugir Deles)



Estranho seria se o conceito do “fast tudo” não chegasse na vida amorosa das pessoas. Não há mais tempo de espera: queremos tudo agora, tudo pronto, na caixinha, sem defeitos. Esse hábito também passou pra nossa vida sentimental: em meio a tantas opções, assim como a gôndola de guloseimas do supermercado que brilha diante dos nossos olhos, queremos provar tudo. Um pedaço de cada. Só que pra investir na quantidade e na rapidez, é preciso abrir mão de coisas que só uma comida feita com carinho e paciência pela mãe pode ter: tempero, profundidade, sabor, cheiro, coisa que pizza nenhuma congelada pode te oferecer.

No entanto, seríamos hipócritas se negássemos que uma boa pizza pronta, saindo do forno quentinha, enche a barriga. Enche, sim. Mas vai passando um tempo, e o lado vazio da comida se revela: faltou a sustância, as vitaminas, o que de fato alimenta. Como não poderia deixar de ser, o padrão se repete nos relacionamentos: com a urgência de não ficar sozinho, com o medo de enfrentar a dor da fome de alma, a gente tende mesmo a se entregar pra solução mais fácil. Qualquer coisa que se sinta. Qualquer sentimento que, pelo menos, à primeira vista, preencha. Qualquer coisa que promova uma saciedade instantânea.

Esse é um tipo de problema que surge como efeito colateral da vida moderna: o avanço dos tempos e a facilidade em resolver problemas nos deixaram mimados. Acostumados a resolver boa parte dos problemas que nos atingem no dia a dia com dinheiro ou outras soluções práticas, não conseguimos lidar mais com a dor e a frustração que fazem parte de qualquer aprendizado. Queremos abreviar, por exemplo, a dor da solidão, e nos enganamos nos juntando qualquer peça na ilusão de que ela encaixe no nosso quebra-cabeça. Fechamos os olhos para os defeitos do outro, ou para características claramente incompatíveis, e levamos adiante relações descartáveis, tudo pra não sentir aquilo que você precisa sentir de fato. Sabe como é, a vida te faz cair vários tombos, até que você aprenda a lição. Quanto mais demorar pra aprender, mais tombos levará. Ou seja – quanto mais se evita olhar pra dentro e resolver suas questões antes de sair desesperada(o) atrás de alguém pra chamar de seu, mais sofrimento será gerado. Mais decepções serão colecionadas. Velhos erros se repetirão. E no final, o coração sai mais quebrado do que nunca.

Entrar em relacionamentos de plástico (e ainda levar mais uma pessoa consigo nessa furada) pode parecer atalho pra encurtar algumas dores do peito, mas acredite: o caminho por essa trilha é muito mais longo. Por isso, em vez de colecionar relações vazias, experimente guardar sua energia para aquelas que valem a pena mesmo. Pra aquelas relações de alma, e não só de corpo. Pra aquelas relações que somam, e não subtraem. Pra aquelas parcerias que transformam vidas, que abrem horizontes, que levam os envolvidos pra cima. Pra aquelas relações que, no futuro, independente do que aconteça e de quanto dure, os dois possam olhar pra trás, relembrar as coisas boas e ter a certeza de que valeu a pena.

Porque a gente não precisa de alguém do lado 

pra ser feliz. Mas, sem dúvida alguma, a vida 

passada em boa companhia vale muito mais

 a pena.




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