O Novo Ser começa no olhar

By Leila Maria - novembro 16, 2016



Existe uma lenda urbana que fala sobre o início das vendas de sapato na Índia. Uma grande indústria de calçados, querendo encontrar novos mercados internacionais, logo após o término da 2ª Guerra Mundial, enviou dois dos seus melhores representantes para a Índia. Um para cada parte do país.
Sem que se falassem a respeito de suas impressões, os dois enviaram seus relatórios para a sede da companhia.
O primeiro, ao final do seu relatório, pedia para que a indústria abandonasse a ideia de vender sapatos na Índia e continuasse a pesquisar outros mercados porque ninguém usava sapatos naquele país.
O segundo enviou um relatório animadíssimo dizendo para a fábrica triplicar sua produção, investir num parque industrial maior, contratar mais funcionários e enviar mais vendedores para aquele país imediatamente, porque eles estavam diante da possibilidade de conquistar o maior mercado de sapatos do mundo, a Índia, onde ninguém usava sapatos ainda e eles seriam os primeiros a chegar.

Falamos tanto sobre transformação, mudança de vida, ânimo para vencer, mas nem sempre nos damos conta de que a transformação, de verdade, começa na forma como olhamos para dentro e fora de nós mesmos.

O novo jeito de olhar cura doenças incuráveis, aquelas que habitam dentro da alma. Mesmo que a doença física, por alguma razão, não deixe de existir, o olhar iluminado transforma a experiência mais dolorosa do mundo num grande aprendizado para a vida, mesmo que o seu fim seja encarar resignadamente a morte ou a perda.

Jesus fala sobre a necessidade dos nossos olhos serem bons e brilharem. Ele diz que se os nossos olhos forem trevas ou se olharmos de forma errada para as circunstâncias, todo o nosso ser interior será uma grande escuridão sem fim (Mateus 6). E o que aprendemos com isso?

Não se trata de pensamento positivo, de entusiasmo vazio ou negação da realidade. Pelo contrário, este novo olhar descortina a verdade, encara o bicho da existência e dos problemas de frente. Dá nomes aos bois. Ele se descobre sabedor de que todas as coisas cooperam (sempre) para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo um propósito que nem sempre nos é declarado objetivamente, mas que a infinita sabedoria sabe conduzir de forma magistral.

Quando nos descobrimos amados, supridos e guardados por quem é maior do que a vida e a morte, a alma ganha fôlego para continuar de pé e crendo muito além das coisas que se veem.

O salmo 23, por exemplo, fala a respeito de alguém que anda solitariamente por um lugar chamado “vale da sombra da morte”, mas que não tem medo de estar ali porque sente a presença cuidadora de quem é infinitamente mais poderoso do que aquele lugar tenebroso.

Vejo muitas comunidades religiosas adoecerem o olhar das pessoas. Paradoxo, não? O lugar onde deveria ser um ambiente de crescimento espiritual, alegria, liberdade e amadurecimento acaba se tornando a antítese dele mesmo. É gente que deveria aprender a amar ao invés de odiar, perdoar ao invés de condenar, mandar para o céu ao invés de tentar mandar todo mundo para o inferno. Mas vivem o eterno peso do medo, da angústia de ser atropelado pela vida se andarem fora daquele ambiente. E vão se tornando cada vez mais cegos, com o olhar adoecido.

Tais pessoas creem na religião, no pastor, no padre, no sacerdote, na campanha, na oferenda, no guia, na cartomante, nas runas, nas cabalas, nos horóscopos como se estivessem crendo em Deus, mas de fato, sem saberem, não estão crendo Nele. Chamam estas coisas de “deus”, mas centralizaram sua fé enganosamente nas suas próprias forças e, assim, se afastam de Deus.

A arrogância, a presunção e a autossuficiência pertencem ao grupo daqueles sentimentos que escurecem o olhar e embrutecem os sentimentos. Mas não precisa ser assim.

A verdadeira fé diz respeito a crer para o alto, para a Vida além desta vida, para a liberdade de crer se sabendo amado imerecidamente. Sem precisar se valer de mapas, de guias humanos ou “atravessadores da fé”. A verdadeira fé é mediada pelo novo olhar provocado pela mente de Cristo que vai sendo formada em nós a cada dia, como um sol que vai nascendo e iluminando o nosso interior.

A verdadeira fé nos abre o ousado caminho de chamar  Deus de amigo, de paizinho. De olhar para Ele não como quem olha para um patrão ameaçador e sempre mal humorado, mas olhar para Deus como quem caminha ao nosso lado e nos dá a mão quando o caminho é escuro demais.

É uma atitude primariamente espiritual e não somente intelectual.



O Deus que vê com amor e graça e nos ensina a olhar assim também te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


Fonte:http://www.ovelhamagra.com/o-novo-ser-comeca-no-olhar/







  • Share:

You Might Also Like

0 Comments